segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Quando às lutas vêm!

 

QUANDO AS LUTAS VEM COM A PERMISSÃO DE DEUS!

O propósito deste Estudo é o encorajar-nos a crer que a graça e o cuidado de Deus nos confortam, mesmo quando passamos por provas e tribulações e em todas as circunstâncias da vida. Que, como o apóstolo Paulo, possamos dizer: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” (II Cor. 4:8-9).

Dos livros conhecidos, deve ser o mais antigo do mundo. Esta idéia está baseada em que:

a) O patriarca viveu, sem dúvida, antes de Moisés, pois que, em seu profundo conhecimento de Deus, ele nunca faz referência à lei ou ao povo de Israel. Certas indicações permitem-nos situar este relato após a época de Abraão (Génesis 36:11), provavelmente durante a servidão dos filhos de Jacó no Egito.

b) A longa vida de Jó, o coloca na era dos patriarcas (140 anos mais - Jó 42:16-17).

c) Jó era o sumo sacerdote na sua família, o que não seria admissível, dadas as prescrições cerimoniais de êxodo, caso ele tivesse vivido nesse tempo ou depois.

Desconhece-se o autor do livro e quando foi escrito. Há quem diga que Jó o escreveu. Jó 32:17 (notar o “eu”) parece mostrar que Eliú o escreveu; outros crêem que Moisés foi o autor; ainda outros pensam que é obra de alguém contemporâneo de Abraão; ou tenha sido escrito posteriormente, quando do retorno dos judeus do cativeiro babilónico. Mas os estudiosos da Bíblia concordam que o livro foi escrito sobre Jó e não por ele.

A mensagem principal destes 42 capítulos faz luz sobre o mistério do sofrimento e da dor, provando que o sofrimento é permitido por Deus, não como castigo, mas, como teste revelador do carácter, para educar e instruir.

SATANÁS E JÓ

1. Admissão na corte do Céu (1:6)

Este verso dá-nos a idéia de que os anjos se reuniam periodicamente para informar a Deus e receber suas novas ordens. Os anjos prestam contas a Deus dos seus atos: “Eles se acampam ao redor dos que temem a Deus e os livram” , como lemos no Salmo 34:7.

2. Inquietação (1:7)

A função do diabo é andar a passear. Ele mesmo respondeu a Deus: “de rodear a terra, e passear por ela”. Os anjos têm a finalidade de percorrer a terra toda e descobrir, nos homens, as suas faltas e infidelidade e informar a Deus.

Paulo nos adverte contra as “astutas ciladas do diabo nosso adversário” (Efésios 6:11) e Pedro avisa-nos de que “o diabo, nosso adversário, anda ao nosso redor... buscando a quem possa tragar” ( I Pedro 5:8 ).

À pergunta: “observaste o meu servo Jó”, feita por Deus, Satanás responde ironicamente: “Porventura teme Jó a Deus debalde?”. Para o diabo ninguém é sincero, ninguém é sério. Todos são interesseiros. No pensamento do diabo, Jó era religioso porque Deus o havia enriquecido, mas se lhe tirasse os bens, logo amaldiçoaria a Deus (1:11).

5. Declaração - O Sofrimento aniquila a piedade de Jó (1:13-22)

Encontramos aqui, na paciência de Jó, uma grande e poderosa lição. Jó não gritou, não perdeu o domínio de si mesmo. Em vez de amaldiçoar a Deus, como Satanás queria, Jó adorou a Deus, humilhando-se, rasgando seu manto, raspando sua cabeça e caindo sobre o seu rosto (1:20). A dor podia modificar-lhe o aspecto, mas não podia arrancar-lhe a consolação da fé.

Jó compreendeu que:

a) Tudo o que possuía lhe fora dado por Deus. Que Deus tem o direito de retirar o que é Seu: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá” (1:21).

b) Sua experiência estava alicerçada na sua fé em Deus e, embora perdesse tudo o que tinha, não atribuía a Deus culpa alguma e reconhecia a sabedoria divina (1:22).

Satanás, não se sentindo vitorioso, tenta agora a derrota de Jó através da doença. O diabo nunca desiste e tenta vencer Jó atacando-lhe uma coisa preciosa a todos os homens: a vida. No entanto há coisas de mais valor, como a comunhão com Deus. Deus permite tais provas a Jó porque sabia que ele permanecia invencível na sua fé.

O que fez Satanás? Vejamos:

a) Feriu a Jó de tumores malignos, desde a planta do pé até ao alto da cabeça (2:7-8).

b) O pus que saía da pele se misturava com a comida, tornando-se repugnante (6:7).

c) As crostas das feridas tinham de ser arrancadas e a pele saía em pedaços (7:5).

d) A mulher de Jó o abandona. Aconselha-o a amaldiçoar a Deus, mesmo que o castigo da blasfêmia seja a morte ((2:9).

Impressiona-nos a firmeza de integridade que Jó manifesta em todos os momentos. Sua resposta é extraordinária: “Receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? “ (2:10). A firmeza de seu carácter é manifesta nestas palavras: “Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios” (2:10).

6. A Teoria - É provada como falsa (2:1:10)

Verificámos que Satanás saiu apressadamente da presença de Deus (2:7) para provar que Jó não era leal e sincero, mas interesseiro. Mas Satanás não é onisciente, não sabe o que o coração humano é capaz de realizar. Jó sabia que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8:28).

O Capítulo 31 revela-nos, de forma muito perfeita o carácter de Jó. Nele faz oito grandes afirmações à sua vida passada:

a) Não se deixou contaminar pelo pecado.

Trata primeiro da sua inocência de pecados sexuais. Jó dá a entender que houve três coisas que o contiveram de pecar:

- O pensamento de que o pecado o afastaria de Deus (31:2);

- O temor do castigo e do juízo (31:3);

- O pensamento de que os olhos de Deus que tudo vêem, estavam sobre ele (31:4).

b) Não se deixou contaminar pela mentira e engano.

Jó sabia que Deus não julga os homens por sua aparência exterior ou pela sua conduta. Deus olha para o coração (I Samuel 1:7; Provérbios 4:23). Jó jura que era perfeito, íntegro, sem culpa e reto, dentro e fora (31:5-8).

c) Não se deixou contaminar pela imoralidade.

A sua conduta externa fora pura mas não mais pura que os seus pensamentos mais íntimos (31:1, 7, 9; cfr. Mateus 5:8, 28).

d) Não se deixou contaminar pela discriminação racial ou social.

Perante Deus não havia diferenças na humanidade, nem em relação à cor, à situação financeira, à nacionalidade ou qualquer outra causa (31:13-15).

e) Não se deixou contaminar pela dureza nem pela insensibilidade.

A sua abundância nunca o tornara indiferente às necessidades dos outros (31:16-23). Ele sabia que havia um Deus no céu a quem ele tinha de prestar contas (Efésios 6:9).

f) Não se deixou contaminar por ter subido na vida.

Sua primeira e fundamental devoção e lealdade devia ser para Deus, como o exigia o Primeiro Mandamento. Aqui, Jó afirma que, embora fosse rico, nunca fez do seu ouro um ídolo (31:24-25).

g) Não se deixou contaminar por qualquer desejo secreto de idolatria.

Não foi adorador da natureza, nem confundiu o que foi criado com o Criador (31:26-27). O havê-lo feito, significava haver negado o verdadeiro Deus e romper sua parte no pacto com Deus.

h) Não se deixou contaminar pelo ódio aos seus inimigos.

Afirma que nunca se regozijou quando o mal sobrevinha aos seus inimigos (31:28-29; ver Mateus 5:43-48).

Jó afirma que está inocente daqueles pecados que os amigos procuraram imputar-lhe. Nos versículos 38 a 40 Jó vai mais longe e diz: “Nem a própria terra que me pertence, se tivesse voz, me condenaria”.

Encontramos aqui a história de um homem de integridade exemplar progressivamente despojado de todos os seus bens mais preciosos e das convicções mais sagradas com que o ser humano reveste a sua alma:

A VOZ DE DEUS

A alocução divina, partida do redemoinho, parece indicar que o ponto de vista de Deus é que os homens, de mentalidade finita, vivendo num mundo onde vêem cada dia coisas que não podem compreender, e estando debaixo de forças perante as quais são impotentes, não devem esperar compreender todos os mistérios da criação de Deus e do governo do universo.

Antes que o homem comece a julgar alguém, ou alguma coisa, necessita ter um perfeito conhecimento dessa pessoa ou dessa coisa. Jesus disse: “Não julgueis, para que não sejais julgados... E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?” (Mateus 7:1, 3 - ver Romanos 12:1; 14:10-13).

O homem moderno que critica a justiça de Deus com base em sua ação sobre o universo, certamente que, um dia, confessará como Jó: “Por isso falei do que não entendia; coisas que para mim eram maravilhosíssimas, e que eu não compreenderia” (42:3).

Notemos que Deus não respondeu a Jó por que sofria. Deus não pode ser examinado pelo homem. Ele faz as perguntas, não o homem. O propósito de Deus em suas conversas não é chegar ao intelecto com respostas e perguntas filosóficas ou teológicas. É resolver o problema espiritual do aparente afastamento do homem de Deus. A frase: “Mas agora meus olhos te vêem” (42:5) são de extraordinária importância para Deus.

Vejamos o significado da voz divina

a) O primeiro sentido é que Jó não deveria conhecer a razão do seu sofrimento. Se ele tivesse conhecimento do propósito de sua provação e o final compensador, evidentemente toda a reação teria sido então influenciada.

b) Seu segundo significado é a indicação do interesse divino pelas coisas de Jó. Deus estivera observando, ouvindo, cuidando. Jó e seu sofrimento significavam tanto para Deus que O levaram a falar!

c) O plano divino era levar Jó a apoiar-se no próprio Deus, independentemente de explicações. Ter fé é confiar em Deus apesar de todas as aparentes contradições e mesmo havendo ausência de qualquer explicação de momento.

d) A intenção divina é clara: levar Jó ao limite de si mesmo, para que possa encontrar em Deus a Sua plenitude.

Mas, um ponto importante é este: Deus nunca condenou Jó, mas lhe fez diversas perguntas (40:10-14). Deus não está obrigado para com nenhum homem, como lemos no Capítulo 41, verso 11.

Pode ser difícil para o homem moderno aceitar o facto de que Deus, e não o homem, é o autor da salvação do homem (João 3:16).

A RESTAURAÇÃO DE JÓ

O Capítulo 42 é a parte mais importante do livro de Jó. Depois do silêncio de Jó (40:1-5) aparece a sua confissão e arrependimento. Jó se arrepende por algum pecado que tenha sido originado por seu sofrimento:

a) Jó reconhece a onipotência de Deus (42:2).

b) Jó reconhece o seu próprio medo (42:3).

c) Jó descreve seu anterior conhecimento de Deus (42:5-6).

d) Jó se arrepende (42:6)

Em todo o livro de Jó se apresenta a dor que sofre o justo. Seus amigos apresentaram muitas respostas e, sem dúvida, nenhuma satisfatória. O problema de Jó havia sido a separação. Sua solução foi a reconciliação.

Jó aprendeu que uma pessoa pode sofrer a perda de todas as coisas e, sem dúvida, estar segura do amor de Deus. Jó soube viver em todas as situações. Ele mesmo declara que não era ímpio, como haviam sustentado seus amigos, mas um homem genuinamente piedoso, que, vendo-se face a face com Deus, confessa: “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado” (42:2), e faz a grande confissão: Eu te conheço só de ouvir, mas agora meus olhos te vêem. Por isso me abomino, e me arrependo no pós e na cinza” (42:5-6).

Esta é a vitória da fé submissa. Quando nos curvamos à vontade de Deus, encontramos o caminho para Deus.

Notamos que, depois de Deus ter falado com Jó, falou com os seus três amigos (Elifaz, Bildade e Zofar), para os censurar, por não terem tido palavras sábias. O que conheciam de Deus era o de um ser vingativo, que não tem compaixão dum pobre pecador. A misericórdia, a graça, a bondade de Deus eram desconhecidas. Por isso falsearam a doutrina a respeito de Deus (42:7-9).

Para Eliú não houve censura. Porquê? Talvez por que, mesmo querendo forçar Jó a mudar de atitude para com Deus, jamais alinhou com os seus colegas.

O ponto alto da vida de Jó está neste capítulo 42, verso 10: “Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e deu-lhe o dobro de tudo que antes possuía”.

“Quando orava...”, eis a chave da vitória. Oração pelos amigos e inimigos. Não foi esta também a recomendação de Jesus? (Mateus 5:44).

Jó suportou suas provas de maneira magnífica, e Deus abençoou sua velhice. Note-se que a passagem dos sinais espirituais da aprovação divina para os materiais (42:11-17) se dá quando Jó ora pelos outros (42:10). A sua prosperidade material é-lhe restituída quando a sua atenção se concentra nos interesses espirituais dos outros (Mateus 6:33).

CONCLUSÃO

Depois deste Estudo sobre a vida de Jó, podemos resumi-lo

1. A necessidade dum serviço verdadeiramente desinteressado (1:9; 2:4-5).

2. Quando Deus permite uma prova, não é necessariamente um castigo para o pecado, mas sim, uma medida disciplinar e paterna (Provérbios 3:11-12).

3. O perigo de conselheiros falsos que apresentam opiniões de acordo com os seus próprios pensamentos, e não segundo a sabedoria divina.

4. A sublime lição, de um modo geral, parece ser esta: Jó, no fim de tudo, através da sua paciência em sofrer, chegou a ver a Deus e foi abundantemente recompensado.

5. Jó, como Paulo, compreendeu que “Todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8:28)-

6. Jó, como todos nós, podia afirmar com toda a certeza: “Ora muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa lembrança de mim; pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade. Não digo isto por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho.

Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Filipenses 4:10-13).