segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Árvore do Conhecimento

A expressão, no hebraico, consiste em duas palavras, que a LXX traduz por tó ksúlon tou eidénai, “a árvore do Éden”. A expressão completa aparece em Gên. 2:9, “a árvore do conhecimento do bem e do mal”, que designa uma das duas árvores incomuns que Deus plantou no jardim do Éden. Deus ordenou a Adão que não comesse do fruto dessa árvore, sob pena de morte (ver Gên. 2:17). A tentação de Eva, por parte da serpente, concentrou-se sobre esse mandamento. Ela cedeu à tentação, diante do argumento de que ela não morreria, mas seria “como Deus”, e ela não somente comeu do tal fruto, como também deu-o ao seu marido. A expressão “do bem e do mal”, que indica os pontos extremos do conhecimento, denota a ideia de conhecimento total, isto é, onisciência e poder. Segundo se depreende de Gên. 3:5, equivale a tomar-se um ser divino. Porém, ao apelar para tal fruto, buscando tornar-se divino, o homem apenas tornou-se culpado, cobrindo-se de vergonha e condenação, e foi expulso do jardim do Éden, onde comungava com Deus. A falta de conhecimento do bem e do mal pode ser um sinal de imaturidade (ver Deu. 1:39; Isa. 7:14-17), e no trecho de II Samuel 19:35, aparece como um sinal da senilidade própria da idade muito avançada. A posse de conhecimento, por parte do rei, toma-o semelhante a um anjo de Deus, e de conformidade com I Reis 3:9, conhecimento e sabedoria era o mais almejado de todos os dons, por parte de Salomão (cf. Gên. 24:50; Núm. 24:13; Ecl. 12:14; Jer. 42:6). A árvore do conhecimento simbolizava a onisciência divina. A árvore do conhecimento do bem e do mal ensina para o homem, simbolicamente, que o ser humano não pode fazer arbitrariamente o que quiser, e nem pode estabelecer as normas do bem e do m al. No entanto, o ato de rebeldia pecaminosa de Adão, que arrasto u toda a sua descendência, fez com que o homem se arrogasse à posição de modelo ou norma, como se ele tivesse autonomia moral (ver Isa. 5:20; Amós 5:14,15). Essa arrogante auto-suficiência é freqüentemente condenada nas Escrituras, mormente nos escritos proféticos (ver Eze. 28; Isa. 14:12ss; cf. Gên. 11), como a característica fundamental do pecado. Portanto , profundíssimo é o ensino de Gênesis, que ensina que esse equivocado senso de auto-suficiência é a raiz e a essência do pecado, ensino esse confirmado e reforçado em todos os demais livros da Bíblia. Qual seria a árvore do conhecimento do bem e do mal? Popularmente tratar-se-ia da macieira, e a maçã simbolizaria o contato sexual. Mas isso é produto da fantasia maliciosa. As tradições judaicas pensavam na videira, na oliveira ou em uma espiga gigantesca, ao passo que os gregos pensavam na figueira. Na verdade, porém , as Escrituras não determinam a espécie da árvore. A ideia da macieira apareceu pela primeira vez entre escritores latinos, talvez devido a uma semelhança de palavras latinas (malum = o mal; malus = macieira). Se não fosse essa similaridade de palavras, no latim, não se teria vulgarizado a ideia da maçã, que é tão tola quanto outra tolice qualquer.